Era um dia de seco silêncio. As árvores se entristeciam diante do vento gelado que estremecia as folhagens. Se muniu de preto para que o calor não dissipasse. Abriu a porta e chegou à rua como se enfrentasse o imenso inverno, subiu a ladeira e com o corpo aquecido entrou no subsolo do metrô. Desceu aos ínferos, mas ao sair na próxima estação reparou o deserto de pessoas. E a morte ainda a acompanhava. Subiu escadas e nada. Sentou-se, e diante de toda a inquietação que alarmava sua própria existência, começou a ouvir. E as cordas sopravam vida. Os sopros invadiam o corpo, os ruídos aceleravam seu pulso. Sua reação foi úmida, as lágrimas escorregavam pelo longo casaco como se quisessem acompanhar seu comprimento. As vibrações a tomavam como se pertencesse a mesma matéria, sonora. Quando chegou ao fim, entendeu. Ascendera. Enfim renasceu! Deu alguns passos e olhou o luminoso. Estava na estação Sumaré e novamente entraria no subsolo. Sentiu a estranha sensação de estar esquecendo algo, mas não olhou para trás. Ficara parte dela ali. E agora era outra pessoa.
(Parte de romance-crônicas inédito particular)
(Parte de romance-crônicas inédito particular)
2 comentários:
Que bonito!
Vá dividindo com a gente aqui agora...beijos!!!!
Ai ai, mas é segredo!Não conta pra ninguém!!
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